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Primeiramente, se você é médico ou sócio de clínica médica no Espírito Santo, é bem provável que esteja pagando mais imposto do que deveria. Isso porque a tributação de médicos no Simples Nacional depende de um cálculo chamado Fator R — e quem não acompanha esse indicador pode ficar anos pagando o Anexo V (até 16% de alíquota efetiva) quando poderia estar no Anexo III (alíquota a partir de 7,3%).
Além disso, com mais de 50 anos de atuação no Espírito Santo, a Fraga Contabilidade já ajudou centenas de profissionais da saúde a estruturar sua tributação da forma mais inteligente. Neste guia completo, você vai entender exatamente como funciona a tributação médica no Simples Nacional em 2026, como calcular o Fator R e quanto você pode economizar.
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CNAE do Médico e da Clínica Médica no Simples Nacional
Portanto, antes de falar em alíquota, é preciso entender qual CNAE enquadra a sua atividade. Para médicos e clínicas médicas, os principais são:
| CNAE | Descrição | Quando usar |
|---|---|---|
| 8630-5/01 | Atividade médica ambulatorial com recursos para realização de procedimentos cirúrgicos | Clínicas com salas cirúrgicas, dermatologistas, oftalmologistas |
| 8630-5/03 | Atividade médica ambulatorial restrita a consultas | Consultórios, clínicos gerais, especialistas que fazem apenas consultas |
| 8630-5/02 | Atividade médica ambulatorial com recursos para realização de exames complementares | Clínicas com exames de imagem |
Em relação ao Simples Nacional, todos esses CNAEs estão sujeitos ao Anexo V ou Anexo III, dependendo do Fator R.
O que é o Fator R e por que ele muda tudo para o médico
O Fator R é a relação entre a folha de salários dos últimos 12 meses e a receita bruta dos últimos 12 meses da empresa.
Fator R = Folha de Salários (12m) ÷ Receita Bruta (12m)
Se o resultado for igual ou maior que 28%, a empresa cai no Anexo III (alíquotas menores). Se for menor que 28%, fica no Anexo V (alíquotas maiores).
Sendo assim, ao aumentar estrategicamente o pró-labore dos sócios médicos ou contratar funcionários com carteira assinada, você pode elevar o Fator R acima de 28% e mudar de anexo. Em outras palavras: o planejamento tributário do médico passa necessariamente pelo Fator R.
Tabelas do Simples Nacional 2026: Anexo III vs Anexo V
Anexo III — Para quem tem Fator R ≥ 28%
| Faixa | Receita Bruta 12 meses | Alíquota Nominal | Parcela a Deduzir |
|---|---|---|---|
| 1ª | Até R$ 180.000 | 6,00% | — |
| 2ª | R$ 180.001 a R$ 360.000 | 11,20% | R$ 9.360 |
| 3ª | R$ 360.001 a R$ 720.000 | 13,20% | R$ 17.640 |
| 4ª | R$ 720.001 a R$ 1.800.000 | 16,00% | R$ 35.640 |
| 5ª | R$ 1.800.001 a R$ 3.600.000 | 21,00% | R$ 125.640 |
| 6ª | R$ 3.600.001 a R$ 4.800.000 | 33,00% | R$ 557.640 |
Anexo V — Para quem tem Fator R < 28%
| Faixa | Receita Bruta 12 meses | Alíquota Nominal | Parcela a Deduzir |
|---|---|---|---|
| 1ª | Até R$ 180.000 | 15,50% | — |
| 2ª | R$ 180.001 a R$ 360.000 | 18,00% | R$ 4.500 |
| 3ª | R$ 360.001 a R$ 720.000 | 19,50% | R$ 9.900 |
| 4ª | R$ 720.001 a R$ 1.800.000 | 20,50% | R$ 17.100 |
| 5ª | R$ 1.800.001 a R$ 3.600.000 | 23,00% | R$ 62.100 |
| 6ª | R$ 3.600.001 a R$ 4.800.000 | 30,50% | R$ 332.100 |
💡 Diferença real: Um médico faturando R$ 20.000/mês (R$ 240k/ano) paga R$ 1.460/mês no Anexo III e R$ 3.225/mês no Anexo V. São R$ 1.765 a menos por mês, ou R$ 21.180 de economia por ano — apenas por otimizar o Fator R.
Simulador: Calcule seu DAS e Fator R
🧮 Calculadora Médico no Simples Nacional ES 2026
Exemplo Prático: Dra. Ana, clínica médica em Vitória ES
Por exemplo, a Dra. Ana tem uma clínica médica em Vitória, ES, faturando R$ 20.000/mês (R$ 240.000 nos últimos 12 meses). Veja como o Fator R impacta diretamente o que ela paga todo mês:
| Cenário | Pró-labore mensal | Fator R | Anexo | DAS mensal | DAS anual |
|---|---|---|---|---|---|
| Sem otimização | R$ 3.000/mês | 15% | V | R$ 3.225 | R$ 38.700 |
| Com Fator R otimizado | R$ 5.600/mês | 28% | III | R$ 1.460 | R$ 17.520 |
| Economia com planejamento | R$ 1.765/mês | R$ 21.180/ano | |||
⚠️ Atenção: Aumentar o pró-labore reduz o DAS, mas aumenta o INSS do pró-labore. Por isso, o planejamento precisa considerar o impacto líquido total — e não apenas o DAS. Um contador especializado vai calcular o ponto ótimo para você.
Tabela Comparativa: Simples III vs Simples V vs Lucro Presumido vs Pessoa Física
Dessa forma, para médicos faturando R$ 20.000/mês no ES, a comparação entre os regimes tributários fica assim:
| Regime tributário | Condição | Alíquota efetiva aprox. | DAS / Imposto mensal | Observação |
|---|---|---|---|---|
| Simples Nacional — Anexo III | Fator R ≥ 28% | ~7,3% | ~R$ 1.460 | ✅ Melhor cenário para médico de médio porte |
| Simples Nacional — Anexo V | Fator R < 28% | ~16,1% | ~R$ 3.225 | ⚠️ Paga o dobro sem necessidade |
| Lucro Presumido | Faturamento acima de R$ 40k/mês | ~13,3% | ~R$ 2.660 | Pode ser interessante para clínicas maiores |
| Pessoa Física (Carnê-Leão) | Sem PJ aberta | até 27,5% | até R$ 5.500 | ❌ Pior opção para renda acima de R$ 5k/mês |
Médico pode ser MEI? Não — a atividade médica (CRM) é expressamente vedada para o MEI. Para exercer a medicina com CNPJ, é necessário abrir uma ME ou EPP — e aí o Simples Nacional ou Lucro Presumido entram como opções de regime tributário.
Checklist para ativar o Fator R na sua clínica no ES
Sendo assim, para garantir que sua clínica esteja no Anexo III, siga este checklist:
- Calcule a relação entre sua folha total dos últimos 12 meses e a receita bruta do mesmo período
- Se o resultado for inferior a 28%, avalie aumentar o pró-labore dos sócios médicos
- Confirme que o pró-labore está sendo recolhido com INSS do sócio (11% até o teto de R$ 908,85 em 2026)
- Inclua na folha salários de funcionários CLT (recepcionistas, enfermeiros, técnicos) para elevar o Fator R
- Monitore o Fator R mensalmente — ele muda conforme faturamento e folha oscilam ao longo do ano
- Solicite ao seu contador uma projeção anual para evitar surpresas no DAS
- Verifique se o CNAE cadastrado no seu CNPJ corresponde à atividade real
FAQ — Perguntas Frequentes de Médicos sobre o Simples Nacional no ES
Sobre o Fator R e enquadramento
1. Médico sócio que não tem funcionários consegue usar o Fator R?
Sim — o pró-labore do próprio sócio entra no cálculo da folha de salários. Portanto, mesmo sem funcionários CLT, o médico pode atingir os 28% aumentando o valor do pró-labore pago mensalmente. O importante é que o pró-labore esteja regularmente registrado e com INSS recolhido.
2. Qual o pró-labore mínimo para ativar o Fator R faturando R$ 20.000/mês?
Depende do faturamento. Se a clínica fatura R$ 20.000/mês (R$ 240.000/ano), são necessários pelo menos R$ 67.200 de folha nos 12 meses — ou seja, R$ 5.600/mês de pró-labore. O INSS sobre isso representa R$ 616/mês (11% sobre R$ 5.600). O planejamento deve considerar se a economia no DAS compensa o aumento no INSS.
3. Uma sociedade médica com dois sócios aproveita melhor o Fator R?
Sim — os pró-labores de todos os sócios entram na folha do Fator R. Por isso, sociedades com dois ou mais médicos têm vantagem: dividindo o pró-labore entre os sócios, é mais fácil atingir os 28% sem que cada um pague individualmente uma contribuição muito alta ao INSS.
Sobre regime tributário e planejamento
4. Quando o Lucro Presumido é melhor que o Simples para médicos?
Em geral, o Lucro Presumido começa a ser mais vantajoso quando a clínica fatura acima de R$ 40.000 a R$ 50.000/mês e tem poucos funcionários — porque nessa faixa o Simples pode atingir alíquotas efetivas próximas de 13-14%, equiparando-se ao Lucro Presumido. Cada caso precisa de uma análise específica.
5. Clínica médica no Simples Nacional pode distribuir lucros sem IR?
Sim — e este é um dos maiores benefícios. A distribuição de lucros para sócios de empresas no Simples Nacional é isenta de Imposto de Renda, desde que os lucros sejam apurados corretamente na contabilidade. Para isso, a empresa precisa manter escrituração contábil regular.
6. Médico que trabalha como autônomo (sem PJ) paga quanto de imposto?
Como pessoa física, o médico está sujeito ao carnê-leão — tributação progressiva de 0% a 27,5%. Quem recebe R$ 10.000/mês paga cerca de R$ 2.028/mês de IR, mais o INSS autônomo. Com uma PJ no Simples Nacional Anexo III, o mesmo profissional pode pagar menos de R$ 800/mês em tributos totais — uma diferença expressiva no resultado mensal.
Por que médicos do Espírito Santo devem atenção ao planejamento tributário
Por fim, o mercado de saúde capixaba está em crescimento, com novos consultórios e clínicas abrindo principalmente na Grande Vitória. No entanto, muitos profissionais abrem o CNPJ mas não acompanham o enquadramento tributário ao longo do tempo — e acabam pagando o Anexo V por anos sem saber que poderiam estar no Anexo III.
Além disso, o Espírito Santo conta com programas de benefícios fiscais como o COMPETE-ES e o INVEST-ES que, dependendo da estrutura da clínica, podem trazer vantagens adicionais. A Fraga Contabilidade, com mais de 50 anos no ES, é especialista nessas oportunidades regionais e pode avaliar qual estratégia faz mais sentido para o seu caso.
Quer saber exatamente quanto sua clínica médica paga no ES?
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