Dentista no Simples Nacional ES: quanto você paga de imposto em 2026 e como o Fator R pode colocar você no Anexo III

Dentista no Simples Nacional ES: quanto você paga de imposto em 2026 e como o Fator R pode colocar você no Anexo III

Em relação à tributação de dentistas no Espírito Santo, o que mais encontramos — em mais de 50 anos de atuação — são consultórios e clínicas pagando muito mais imposto do que deveriam. O motivo quase sempre é o mesmo: o CNAE de atividade odontológica fica no Anexo V do Simples Nacional, com alíquota que pode passar de 16%, quando poderia estar no Anexo III, com alíquota a partir de 6%.

De fato, a diferença entre os dois cenários pode representar mais de R$ 20.000 por ano apenas para um consultório com faturamento de R$ 20 mil mensais. E o mecanismo que define em qual Anexo você se enquadra tem nome: Fator R.

Por isso, este guia explica — com números reais, tabelas e um simulador interativo — tudo o que o dentista capixaba precisa saber para pagar menos imposto de forma legal em 2026.

O que é o CNAE 8630-5/04 e por que o dentista precisa saber?

Primeiramente, é importante entender que o CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) determina em qual anexo do Simples Nacional a sua empresa será tributada. Para dentistas e clínicas odontológicas, o CNAE correto é o 8630-5/04 — Atividade Odontológica, que cobre desde consultas simples até cirurgias e procedimentos mais complexos.

Além disso, existe uma variação importante: o CNAE 8630-5/07 é usado por Serviços de Saúde Mental, mas para a odontologia geral — clínicos, ortodontistas, endodontistas, implantodontistas, cirurgiões bucomaxilofaciais — o 8630-5/04 é o correto.

Dessa forma, ao abrir a sua empresa odontológica no ES, é fundamental que o contador registre o CNAE correto. Um equívoco aqui pode colocar o consultório no Anexo errado e gerar pagamento a maior de imposto durante anos.

⚠️ Atenção: A atividade odontológica não pode ser exercida como MEI. O dentista que atende como Microempreendedor Individual está em situação irregular. É obrigatório abrir empresa como ME, SLU (Sociedade Limitada Unipessoal) ou LTDA — com o devido CNAE e regime tributário adequado.

Simples Nacional para dentistas no ES: Anexo V ou Anexo III?

Em primeiro lugar, é preciso entender que o CNAE 8630-5/04 está enquadrado no Anexo V do Simples Nacional. Esse Anexo tem alíquotas que começam em 15,5% e podem chegar a 30,5% — bem mais pesadas do que outros Anexos.

Portanto, a boa notícia é que existe um mecanismo legal que pode fazer o seu consultório migrar para o Anexo III, que começa em 6%. Esse mecanismo é o Fator R.

O que é o Fator R na prática?

Em outras palavras, o Fator R é uma relação entre o quanto a empresa paga em folha de salários (incluindo o pró-labore dos sócios) e o quanto ela fatura nos últimos 12 meses. A fórmula é simples:

Fator R = Folha de Pagamento dos últimos 12 meses ÷ Receita Bruta dos últimos 12 meses

Sendo assim, se o Fator R for igual ou superior a 28%, a empresa passa do Anexo V para o Anexo III — com uma redução drástica na carga tributária. Se o Fator R ficar abaixo de 28%, a empresa permanece no Anexo V.

Embora pareça um cálculo simples, o que conta como “folha de pagamento” é um ponto que muitos dentistas erram. Na folha entram: pró-labore do sócio (e o respectivo INSS sobre ele), salários de funcionários CLT e o INSS patronal. O aluguel, os insumos e o lucro distribuído não entram no cálculo.

Como calcular o Fator R do seu consultório

Contudo, antes de fazer o cálculo, é preciso reunir dois números: o total pago em folha nos últimos 12 meses e o total faturado no mesmo período. O cálculo é feito mês a mês — o Fator R do mês de junho de 2026, por exemplo, usa os valores de julho de 2025 a junho de 2026.

Ainda vale ressaltar que o pró-labore mínimo para fins trabalhistas e previdenciários é o salário mínimo nacional (R$ 1.518 em 2026), mas para atingir o Fator R de 28%, pode ser necessário declarar um valor maior. O simulador abaixo calcula exatamente o pró-labore necessário para você atingir esse threshold.

🧮 Simulador do Fator R — Dentista no Simples Nacional ES 2026

Preencha os valores mensais médios do seu consultório para descobrir seu Fator R e comparar os cenários de tributação.



Simples Nacional — Anexo III
R$ —
Alíquota efetiva: —

Simples Nacional — Anexo V
R$ —
Alíquota efetiva: —

📌 Seu cenário atual

* Simulação com base nas tabelas do Simples Nacional 2026 (LC 123/2006). Para análise personalizada, consulte um contador.

Consequentemente, a estratégia mais comum entre dentistas que alcançam o Fator R é ajustar o pró-labore declarado para atingir os 28%. O simulador acima calcula exatamente o valor necessário. Vale lembrar: o pró-labore é tributado pelo INSS, mas a economia gerada pelo Fator R costuma ser muito maior do que o custo previdenciário adicional.

Tabela comparativa: Simples Nacional × Lucro Presumido × Pessoa Física

Em relação à escolha do regime tributário, é importante comparar os três cenários reais para um dentista no ES com faturamento de R$ 20.000 mensais (R$ 240.000/ano):

Regime TributárioAlíquota EfetivaDAS / Imposto MensalImposto AnualMelhor para
Simples Nacional — Anexo III (com Fator R ≥ 28%)~7,30%R$ 1.460R$ 17.520Dentistas com folha ≥ 28% do faturamento
Lucro Presumido~14,33%R$ 2.866R$ 34.392Faturamento alto sem Fator R
Simples Nacional — Anexo V (sem Fator R)~16,13%R$ 3.225R$ 38.700Evitar sempre que possível
Pessoa Física (Carnê-Leão)até 27,5%R$ 5.500+R$ 66.000+Não recomendado para dentistas com renda alta

Aliás, o Lucro Presumido merece atenção especial para dentistas com faturamento mais alto. Acima de R$ 360 mil/ano, quando o Simples Nacional já está na faixa 3 do Anexo V (19,5%), o Lucro Presumido pode ser vantajoso — desde que o dentista distribua lucros e mantenha a folha sob controle. Um contador especializado faz essa simulação com dados reais do consultório.

No entanto, para a maioria dos dentistas no ES com faturamento entre R$ 10.000 e R$ 40.000 mensais, o Simples Nacional no Anexo III (com Fator R alcançado) é o regime mais eficiente. A combinação de alíquota baixa e simplicidade operacional faz do Simples a escolha padrão para esse perfil.

Exemplo prático: quanto o Dr. Carlos paga de imposto em Vitória ES

Por exemplo, considere o Dr. Carlos, dentista clínico geral com consultório em Vitória ES, atendendo como SLU (Sociedade Limitada Unipessoal) com CNAE 8630-5/04:

DadoValor
Faturamento mensalR$ 20.000
Faturamento anual (RBT12)R$ 240.000
Pró-labore mensal declaradoR$ 5.600
INSS s/ pró-labore (11%)R$ 616
Folha mensal totalR$ 6.216
Folha anualR$ 74.592
Fator R74.592 ÷ 240.000 = 31,08% ✅ Anexo III
DAS mensal (Anexo III, alíq. efetiva 7,30%)R$ 1.460
DAS que pagaria no Anexo V (alíq. efetiva 16,13%)R$ 3.225
Economia mensal com Fator RR$ 1.765
Economia anual com Fator RR$ 21.180

Todavia, é fundamental entender que o pró-labore de R$ 5.600 escolhido pelo Dr. Carlos tem um custo: ele paga R$ 616/mês de INSS. Mas a economia gerada pelo Fator R é de R$ 1.765/mês — mais de duas vezes o custo previdenciário. O saldo líquido é extremamente positivo.

Finalmente, vale registrar que o Dr. Carlos ainda pode distribuir os lucros do consultório sem incidência de IR, já que a distribuição de lucros de empresas do Simples Nacional é isenta de imposto de renda para o sócio — desde que os lucros estejam devidamente escriturados na contabilidade.

Dentista pode ser MEI?

Antes de mais nada, é preciso ser direto: não. A atividade odontológica está vedada para o MEI (Microempreendedor Individual). A Lei Complementar 123/2006 e as resoluções do CGSN (Comitê Gestor do Simples Nacional) excluem expressamente as atividades de saúde regulamentadas — como medicina, odontologia, fisioterapia e psicologia — do MEI.

Da mesma forma, dentistas que estão operando como MEI estão em situação irregular e podem ter o CNPJ cancelado de ofício pela Receita Federal. Além disso, a responsabilidade pelas guias não pagas recai sobre o profissional como pessoa física.

  • Abrir ME, SLU ou LTDA com CNAE 8630-5/04
  • Optar pelo Simples Nacional no ato da abertura ou até 31 de janeiro do ano seguinte
  • Definir o pró-labore e a estrutura societária com o contador
  • Calcular o Fator R mensalmente para garantir o Anexo III
  • Escriturar os lucros contabilmente para viabilizar a distribuição isenta

Dúvidas frequentes — Dentistas no Simples Nacional

Por fim, reunimos as perguntas que os dentistas capixabas mais fazem para os especialistas da Fraga Contabilidade ao longo de mais de 50 anos de atendimento no ES.

Dúvidas sobre CNAE, Anexo e DAS

Qual CNAE usar para clínica odontológica com vários profissionais?
Portanto, a regra é simples: se a atividade principal é odontológica — mesmo que a clínica tenha vários dentistas contratados ou parceiros — o CNAE principal continua sendo o 8630-5/04. Cada dentista autônomo que presta serviços para a clínica pode ter sua própria PJ com o mesmo CNAE. A clínica pode ter CNAEs secundários (ex: prótese dentária, radiologia odontológica) conforme os serviços prestados.

Quanto é o DAS para dentista com faturamento de R$ 10.000/mês?
Sendo assim, para um faturamento mensal de R$ 10.000 (anual: R$ 120.000, faixa 1 do Simples Nacional), a alíquota efetiva é: no Anexo III, 6,00% = DAS de R$ 600/mês; no Anexo V, 15,5% = DAS de R$ 1.550/mês. A diferença é de R$ 950/mês — exatamente o que o Fator R pode economizar para você nessa faixa.

Dentista especialista (implante, ortodontia) usa o mesmo CNAE?
Em geral, sim. O CNAE 8630-5/04 — Atividade Odontológica — é abrangente o suficiente para cobrir clínicos gerais, ortodontistas, implantodontistas, endodontistas e periodontistas. Contudo, algumas especialidades podem ter CNAEs específicos (ex: cirurgia bucomaxilofacial pode usar 8630-5/01 — Atividade Médica Ambulatorial — em alguns casos). Consulte seu contador para confirmar o CNAE ideal para a sua especialidade.

O DAS do Simples Nacional substitui todos os outros impostos?
Em outras palavras, sim — o DAS unifica o pagamento de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, CPP (contribuição previdenciária patronal) e ISS em uma guia única. Para dentistas no Simples, não há pagamento separado de ISS para a prefeitura nem de COFINS para a Receita Federal — tudo está dentro do DAS. Isso simplifica muito a gestão fiscal do consultório.

Posso usar o CNAE de atividade odontológica junto com CNAE de produtos odontológicos?
Embora seja possível ter CNAEs secundários de comércio varejista de produtos odontológicos, isso exige atenção: a receita de venda de produtos pode ser tributada pelo Anexo I (comércio) do Simples Nacional, diferente do Anexo V/III da atividade de serviço. A contabilidade separada por atividade é obrigatória para o cálculo correto do DAS quando há mais de um CNAE com Anexos diferentes.

Dúvidas sobre pró-labore, sócios e distribuição de lucros

Qual o pró-labore mínimo para atingir o Fator R de 28%?
Portanto, o cálculo é direto: multiplique o seu faturamento mensal por 28%. Se você fatura R$ 15.000/mês, a folha total (pró-labore + INSS + salários CLT) precisa ser de pelo menos R$ 4.200/mês. Se você não tem funcionários, precisa declarar um pró-labore de aproximadamente R$ 3.780 (de onde o INSS de 11% sai, chegando à folha de R$ 4.200). Use o simulador acima para calcular o seu caso exato.

Dois sócios dentistas na mesma clínica — como funciona o Fator R?
Dessa forma, quando há dois sócios, o pró-labore de ambos entra na folha de pagamento para o cálculo do Fator R. Isso facilita atingir os 28%, pois o pró-labore conjunto é maior. Por exemplo: se cada sócio declara R$ 3.000 de pró-labore e a clínica fatura R$ 30.000/mês, a folha é de R$ 6.000 — Fator R de 20%, insuficiente. Elevando cada pró-labore para R$ 4.200, a folha vai para R$ 8.400 (28%) e a clínica migra para o Anexo III.

Vale a pena migrar para Lucro Presumido se o faturamento crescer muito?
Ainda que o Simples Nacional seja ótimo na maioria dos casos, dentistas que chegam a faturamentos de R$ 40.000–60.000 mensais ou mais devem fazer uma análise comparativa anual com o Lucro Presumido. Em determinados perfis — especialmente clínicas com despesas altas e folha proporcionalmente baixa — o Lucro Presumido pode ser mais vantajoso a partir de faixas superiores. A Fraga realiza essa análise gratuitamente para seus clientes todos os anos.

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