Antes de mais nada, um número que muda o jogo em 2026: uma empresa em Vitória que fatura R$ 30 mil por mês e escolher o regime errado pode pagar milhares de reais a mais de imposto por ano — e, a partir de agora, ela só poderá corrigir essa escolha em uma janela específica de setembro. A adesão ao Simples Nacional 2026 deixou de ser algo que se faz “a qualquer momento” e virou uma decisão com data marcada. Neste guia, a Fraga Contabilidade, com mais de 50 anos de mercado no Espírito Santo, explica sem juridiquês o que mudou e o que você precisa decidir até 30 de setembro.
Em primeiro lugar, a regra de ouro de 2026: a opção pelo Simples Nacional com efeito em 2027 deve ser feita entre 1º e 30 de setembro de 2026. Quem perder essa janela fica travado no regime atual por mais um ano inteiro.
Linha do tempo da decisão — 2026 a 2027
Por isso, entender esse calendário é o primeiro passo de qualquer planejamento tributário bem feito neste ano. Assim, você evita a armadilha mais comum: descobrir em janeiro que o regime não era o ideal e não poder mais mudar.
O que mudou na adesão ao Simples Nacional em 2026
Historicamente, uma empresa já constituída que quisesse entrar no Simples Nacional fazia o pedido em janeiro, com efeito retroativo ao dia 1º daquele mês. Portanto, a decisão era quase de última hora e cabia no começo do ano.
Contudo, o Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN) alterou essa lógica. Agora, a solicitação de ingresso no regime passa a ser feita no mês de setembro do ano anterior ao início da vigência. Ou seja, para valer em 2027, o pedido é em setembro de 2026 e só produz efeito em 1º de janeiro de 2027.
Além disso, surgiu uma segunda decisão inédita. Da mesma forma que o empresário escolhe o regime, ele passa a poder optar por apurar o novo IBS e a CBS por fora do Simples, pelo regime ordinário — o chamado modelo híbrido. Essa escolha específica poderá ser revista duas vezes por ano, em março e em setembro.
No entanto, há uma exceção importante para quem é pequeno demais para se preocupar agora: as mudanças de prazo de opção não se aplicam ao MEI. Assim, o microempreendedor individual segue com suas regras próprias e sem a nova janela obrigatória de setembro.
2026 é ano-teste da reforma: o que aparece na sua nota fiscal em Vitória
Primeiramente, é preciso separar o que muda no papel do que muda no bolso. Em 2026, a reforma tributária entra em fase de adaptação, e é aí que muita empresa se assusta sem motivo.
De fato, a partir de agosto, a nota fiscal passa a destacar os novos tributos com alíquotas simbólicas: 0,1% para o IBS e 0,9% para a CBS. Todavia, essas alíquotas servem apenas para testar os sistemas — não há recolhimento efetivo para as empresas do Simples Nacional em 2026.
Isto é, para quem está no Simples, 2026 não traz aumento de carga. Consequentemente, o foco do ano deve ser adaptar a emissão da nota e, principalmente, tomar a decisão de setembro com calma. Para entender a estrutura completa de alíquotas do regime, vale revisar a tabela do Simples Nacional 2026 antes de decidir.
Em outras palavras: em 2026 o Simples não paga IBS/CBS de verdade. O que exige atenção é a emissão correta da nota e a escolha de setembro, que define como sua empresa será tributada em 2027.
Simples, Lucro Presumido ou modelo híbrido: a comparação que importa
Sendo assim, a grande pergunta de 2026 não é apenas “continuo no Simples?”, e sim “qual combinação me faz pagar menos legalmente em 2027?”. Por exemplo, empresas que vendem para outras empresas (B2B) podem se beneficiar de recolher o IBS/CBS por fora, para gerar créditos ao cliente.
| Situação | Simples “puro” | Simples híbrido (IBS/CBS por fora) | Lucro Presumido |
|---|---|---|---|
| Perfil típico | Vende para consumidor final (B2C) | Vende para empresas (B2B) que precisam de crédito | Margem alta ou fatura acima do teto |
| Simplicidade | Máxima (guia única) | Média (duas apurações) | Menor |
| Gera crédito ao cliente | Limitado | Sim, cheio | Sim |
| Quando decidir | Setembro/2026 | Setembro/2026 (revisa em março) | Setembro/2026 |
Ainda assim, não existe resposta única: o melhor regime depende do seu faturamento, da sua atividade e de quem são seus clientes. Aliás, é exatamente por isso que a simulação individual, feita com um contador que conhece o Espírito Santo, costuma se pagar em poucos meses.
Quem deve revisar o regime agora: 6 sinais de alerta
Caso você se identifique com dois ou mais itens abaixo, a revisão do seu regime antes de setembro deixa de ser opcional e passa a ser urgente.
- Sua empresa vende principalmente para outras empresas (B2B) e o cliente pede nota com crédito.
- O faturamento cresceu e está se aproximando do teto do Simples (R$ 4,8 milhões/ano).
- Você é prestador de serviço no Anexo V e nunca calculou o Fator R.
- A folha de pagamento aumentou e pode puxar sua atividade para o Anexo III (alíquota menor).
- Você abriu a empresa há pouco e escolheu o regime “no chute”, sem simulação.
- Nunca comparou, com números reais, o Simples contra o Lucro Presumido.
Por fim, o item mais subestimado é o Fator R. Da mesma forma que acontece com clínicas e consultórios, muitos prestadores de serviço em Vitória podem migrar do Anexo V para o Anexo III e reduzir a alíquota efetiva — como mostramos no guia de Fator R para profissionais da saúde.
Perguntas frequentes sobre a adesão ao Simples Nacional em 2026
Prazos e funcionamento
Ainda posso pedir o Simples em janeiro de 2027?
Não. A partir de agora, a opção com efeito em 2027 precisa ser formalizada em setembro de 2026. Quem perder essa janela permanece no regime atual durante todo o ano de 2027.
A escolha feita em setembro vale a partir de quando?
A opção produz efeito somente em 1º de janeiro de 2027. Ou seja, você decide em setembro, mas a mudança de regime começa a valer no primeiro dia do ano seguinte.
Sou MEI. Preciso me preocupar com a janela de setembro?
Não. As mudanças de prazo de opção não se aplicam ao MEI, que mantém suas regras próprias. Ainda assim, vale acompanhar as novidades da reforma que afetam a emissão de notas.
Reforma tributária e impacto no bolso
Vou pagar IBS e CBS já em 2026?
Para o Simples Nacional, não. Em 2026, as alíquotas de 0,1% (IBS) e 0,9% (CBS) são simbólicas e servem só para testar os sistemas, sem cobrança efetiva para os optantes do regime.
O que é o “Simples híbrido”?
É a possibilidade de continuar no Simples para a maioria dos tributos, mas recolher o IBS e a CBS por fora, pelo regime ordinário. Costuma fazer sentido para empresas B2B, cujos clientes precisam de crédito. Essa escolha pode ser revista em março e setembro.
Quer saber se o Simples ainda é o melhor regime para a sua empresa em 2027?
A Fraga Contabilidade acompanha empresários do Espírito Santo há mais de 50 anos e simula o seu caso com números reais antes da janela de setembro.
Em resumo, 2026 é o ano de decidir com antecedência. Portanto, não deixe para setembro sem antes comparar seus números — a diferença entre o regime certo e o errado costuma aparecer direto no caixa. Acesse fragacontabilidade.com.br e fale com quem entende do empresário capixaba.





